Já faz tempo que não dava notícias mas também isso faz parte da senda que é construir num País a braços com uma “crise” de Habitação.
É mesmo um sistema especialmente efectivo com 330 regras diferentes que de valor tem muito pouco (nenhum) e seguindo regras sem conhecimentos e cordelinhos se fica à mercê de um dia calhar lembrarem-se daquele processo que apareceu ao limpar o ano…

Não me entendam mal. Gosto de regras claras e justas. Para todos. – não acontece. Longe disso. Depois, 330 regras urbanísticas diferentes dentro de um rectângulo pequeno como o nosso sem qualquer planeamento em escala é de bradar aos céus. Ou seja acaba-se numa selva de densidade burocrática avassaladora que é difícil de levar à risca e que torna o enviesamento, a chico-espertice, os atropelos, os favores, os conhecimentos o modus-operandi que tem de ser seguido se quisermos levar avante uma simples construção.

Digo isto com mágoa. Fui habituado a não ter pontas soltas nem rabos presos. Fazer uma fez e fazer bem. Ora nesta terra ver as coisas assim é ser um Alien. Por aqui é mais a onda faz e pede desculpa. Logo se vê. Alguém também fez porque não posso fazer também? Esta é a minha mágoa. Ver que se não for assim, demoras, és mal servido, chateias-te, custa dinheiro e no fim ainda te chamam nabo porque podias ter feito diferente… Deixa-se à consciência de cada um mas em boa verdade digo que já julguei mais quem levou as coisas a dançar ao som da música.
Ora avançando. Veio o “simplex”. – O belo simplex. Que como alguns já observaram de simples não tem rigorosamente nada a não ser criar uma confusão despencada numa selva que já pouco se conseguia navegar sem ser à mercê de esperas ou conhecimentos. – Solução milagrosa a de empurrar para os técnicos o ónus completo de fazer cumprir o que nem eles dentro das próprias instituições se entendem. Isto num País em que tudo é adjudicado consoante menor for o valor que aparecer na proposta. Tipo promoção de supermercado. O problema é que a selva é densa e esconde todo um emaranhado de perigos e nuances que os Donos de Obra não fazem ideia, fazendo daquele valor no fim da folha uma armadilha absurdamente perigosa e custosa.
Depois há coisas que não entendo muito bem. Para comprarem um telemóvel, um carro, uma máquina de lavar, etc. pesquisa-se, lê-se, pergunta-se lê-se reviews e mais um par de botas.
Para, normalmente, o maior investimento de uma vida é tipo prateleira de supermercado. O que for mais barato. Entendo que a informação é dispersa, complexa, diferente consoante seja o Concelho onde se pretende construir e ainda assim rege-se todo este pântano pelos valores mais baixos de folhas A4.
Quando o que se devia fazer era pagar por uma assistência ou por apoio de alguém da área que faça a ponte nesta maratona que é edificar em Portugal.
Ok. Podem argumentar, “Chave-na-mão” então. Ora era bonito se quem “oferece” este serviço não fossem constructores em que nenhum interesse têm em fazer diferente e oferecem ao cliente uma mão cheia de nada desde que lhes seja favorável (os que fazem contas, porque arrisco mais de 50% dos empreiteiros por cá fazem navegação à vista e não têm a mínima ideia quanto custou no final a obra e qual o rendimento efectivo teve a obra X).
“Então qual é a solução?” – A pergunta lógica. Solução existe. Chama-se empresas de gestão (mais raras) ou equipas de fiscalização. Estas últimas são obrigatórias e da responsabilidade do DO. Ora a fiscalização não é um polícia que vai ver se o ferro não está roubado. Tanto esta fiscalização como empresas de gestão são a ponte que ajudam DO logo antes de um projecto ser terminado. Desde os primeiros esboços. São estas que vão conseguir ajudar um DO a relaxar expectativas, a dizer que não dá para ter mármore nas casas de banho sem gastar dinheiro nas impermeabilizações.
Sentar o DO e clarificar todo o processo.
Este vai muito longo e foge um bocado do tópico. Vamos pôr de molho para já.
Em resumo.
Depois de um novo processo submetido, uma correcção de 4 linhas em Junho, respondida em 4 dias úteis a resposta veio… em Novembro(!!!!) e depois de se ter mexido um cordel (pedido de reunião com Presidente) em desespero…
Está finalmente aprovado e pronto para levantar Alvará! – Ainda água há-de correr… mas pelo menos esta, está(!).
Abr.
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